Nascimento do Moreno – parto domiciliar da Gaab (parte 1)


O processo de nascer, de deixar vir, não é mesmo fácil. Esse registro não foi do dia em que o Moreno nasceu… foi uma madrugada de pródromos intensos, mas que não engrenaram no trabalho de parto em si. O famoso alarme falso aconteceu e eu estava lá para eternizar o momento, porque é disso que se trata o trabalho do fotógrafo de parto: estar presente, à disposição (e com disposição!), para viver junto daquela família todas as emoções da chegada de um filho. Ainda que o filho não chegue exatamente no dia que esperamos.

Mas eles sempre chegam no dia certo.

E como foi o dia certo do Moreno? – eu conto (e mostro!) no próximo post! Por enquanto, fique com o relato poderoso da Gaab sobre a chegada do pequeno:

 

Eu havia me separado não havia muito tempo e acabara de entrar em uma relação polêmica para quem via de fora – apesar de talvez óbvia para quem visse de dentro, também havia acabado de começar outra faculdade e estava investindo em uma nova carreira, perdido 10 kg e estava numa profunda imersão em mim mesma, depois de alguns anos naquilo que chamamos de limbo pós maternidade, em que muito ou tudo o que fazíamos antes de ser mãe perde o sentido e a gente fica tentando entender quem a gente é, ou nem tenta, porque estamos ocupadas demais cuidando. Nesse cenário, fazendo uso combinado de contraceptivos e tendo duas filhas, descobri a gestação do Moreno. Nem sei metaforizar o que foi, para mim, descobrir aquela gestação. Um misto de todos os palavrões existentes, culpa, angústia, medos, muitos medos. Deus é tão bom comigo que, na manhã em que descobri, estavam todos em casa. Minhas filhas, enteada, marido e até a minha mãe, que estava aqui nos ajudando a montar a festa de aniversário de 4 anos da minha enteada. Por alguns instantes, foi como se meu chão tivesse sido tirado e eu não conseguia ficar em pé. Minha mãe e companheiro ficavam ali tentando me acolher e acalmar, sem que as crianças percebessem, enquanto eu ainda não havia me levantado desse tremor. Uau! Que experiência.

Não temia os julgamentos de quem quer que fosse, afinal de contas, noite e dia sempre fui eu que botei minhas crianças pra dormir e as acordei de manhã com carinhos, sempre eu que tomei as rédeas da minha vida e arquei com as consequências e delícias de escolher ser mãe. Os julgamentos sempre vêm e não seria diferente dessa vez e eu estava cada vez mais forte para encará-los, nunca deixei me abater pela caretice alheia.

Aos poucos, fui contando para as pessoas que mais importavam, para as crianças, até que abrisse pra todo mundo, mesmo.

Esses dias, conversando rapidamente com uma amiga, me lembrei que eu participaria como palestrante em um evento sobre maternidade e feminismo logo depois de descobrir a gestação, quase ninguém sabia ainda, mas meu mal estar estava explícito e contei às colegas de mesa. Recebi abraços calorosos e me lembro de ficar positivamente surpresa por eles, afinal, contar sobre uma terceira gravidez é tipo anunciar uma doença terminal rs, as pessoas ficam visivelmente preocupadas com sua saúde e estado ou qualquer coisa do tipo. Ou não ficam é preocupadas com nada, mas tentadas a demonstrar sua surpresa negativa.

Hoje estava me lembrando das pessoas que reagiram positivamente à notícia. Não esqueço de ouvir do meu ex marido, palavras que penetraram a minha alma, enquanto eu contava sobre a gestação e me preparava para o que estava por vir – gravidez, filhos pequenos, planos a mil – ele disse: “você vai tirar de letra”. Sorri. Pude receber algumas tantas outras palavras de amor, quando publicizei

E passou. E os medos, as angústias e tensões foram se transformando, não sem ajuda, conversas na madrugada insone, dia após dia, em conquistas, na sensação de que eu era foda, mesmo e ia bancar aquilo tudo. Expus minha alma a amigas e amigos queridos, fui abraçada em carne viva pelas mãos mais suaves. E os meses foram se passando, fui realizando todos os projetos, segui estudando, palestrando, mudei mesmo de carreira, montei exposições de arte junto com as minhas queridas companheiras, não sem suor, esforço, mas com incontáveis gargalhadas. Tive ao meu lado, as pessoas mais incentivadoras do mundo! Uma rede de amor e apoio. Chás de bençãos, presentes lindos, celebrações. O amor percorrendo cada milímetro do meu corpo e não permitindo que nada de ruim chegasse. E não chegou. Final da gestação, bebê pélvico, planos de parto despedaçados sobre a minha frente, incentivo, apoio. VIROU! Corre pra achar equipe competente! ACHAMOS! Dinheiro pra pagar o parto! CHEGOU! 3 semanas de pródomos intensos, medos, sensação de que não fosse conseguir. CONSEGUIMOS!

Tudo o que aconteceu na minha vida desde que esse trevo de quatro folhas brotou dentro do meu útero, aconteceu comigo, mas muito pouco ou quase nada teria sido como foi, caso não houvesse ao meu lado, as melhores pessoas do mundo. Desde o primeiro dia em que tomei consciência da minha humanidade nessa gestação, até um dia ele explodir de forma bombástica e nascer lindamente em um puta parto empoderador da porra! Moreno Luiz – Luiz, nome do meu pai, que me criou e tanto me apoiou na vida e foi essencial para que Moreno nascesse como eu desejava – chegou pra me lembrar: VOCÊ É FORTE DEMAIS! VOCÊ AGUENTA O TRANCO! E você nunca está sozinha!

E eu sei que você, que fez parte dessa teia de amor, vai saber que está dentro desse texto e saiba que, para sempre, minha gratidão é sua. ❤

E você, Moreno Luiz, a despeito de qualquer plano que parecia interrompido, essa revolução na minha vida e na minha humanidade, que chegou na hora certa e só poderia ser você, minha declaração de amor e cuidado eternos. Seus olhos são luz e você é um sonho realizado que eu não imaginava que tinha! Sua família te ama demais!

“Tu é trevo de quatro folhas
É manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida
Ai ai ai
Tu, que tem esse abraço casa
Se decidir bater asa
Me leva contigo pra passear
Eu juro afeto e paz não vão te faltar
Ai ai ai
Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar

E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá
Tu é trevo de quatro folhas
É manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida
Ai ai ai
Tu, que tem esse abraço casa
Se decidir bater asa
Me leva contigo pra passear
Eu juro afeto e paz não vão te faltar
Ai ai ai
Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá
Tu
Tu
Tu
Tu
Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá
É trevo de quatro folhas
É trevo de quatro folhas, é
É trevo de quatro folhas
É trevo de quatro folhas, é”

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