Nascimento do Moreno – parto domiciliar da Gaab (parte 2)


Foram 3 semanas de pródromos intensos.
Algumas noites de conversas pelo WhatsApp madrugada a dentro. Muitas vezes sobre assuntos aleatórios, pra dar uma abaixada na ansiedade (né, Gaab? rs).
Eu sempre acreditei que ela iria conseguir seu parto desejado. E foi do jeito que era pra ser. Porque cada parto é único. Cada nascimento é um nascimento.

E vivenciar de perto essa gestação e esse nascimento foi muito especial.
Nasceu Moreno! Nasceu uma mãe de 3, nasceu um pai de 2!
É amor se multiplicando!!
É ocitocina no ar.
E sou grata por essa oportunidade ❤

Leia o relato de parto da Gaab e confira o registro dessa noite linda:

 

Eu achei que não fosse conseguir. Minhas pernas bambeavam ao ponto de eu não me equilibrar sobre elas. E, mais uma vez, uma teia de amor me amparou, não me deixou desistir e me jogou para o alto. Eram muitos dias sentindo dor, dormindo muito pouco ou quase nada e sempre crendo que seria aquele o dia do nascimento do Moreno, enfim, dia que parecia nunca chegar. Naquele dia 8 de dezembro, eu já não conseguia achar que iria acontecer, resignada, pensava que seria mais um dia em que os indícios seriam de nascimento, mas não passariam de indícios. Ele não nasceu no dia 8 de dezembro, aniversário de minha irmã, mas foi quase. Esse seria o último dia que eu acharia que poderia nascer e não nasceria.
Não sei se algum dia esquecerei dos olhos doces da minha parteira Fernanda, quando lhe pedi que avaliasse minha dilatação, descrente de que houvesse alguma evolução significativa, e ela me falou, com a voz mais amorosa do mundo: “Ahhhh, Gabi (sorriso sereno e olhos brilhando), 7 cm de dilatação, ele já está aqui”. Foi quando eu busquei forças em todas as mulheres do mundo, e decidi que não dava mais. Se eu saísse dali, iria sofrer em outro lugar, então resolvi que encararia sem apatia o momento de mais dor e intensidade: o trabalho de parto ativo. Meu corpo estava tão fraco que eu me deitava na cama, mas para me verticalizar e dar aquela forcinha para a natureza agir, quando as contrações vinham, estendia os braços e era levantada pela minha doula e meu companheiro, e, sentada na cama, minha mãe cobria minhas costas do vento gelado que vinha do ar condicionado – quanto mais quentinha, menos dor. Thiago, meu marido, pegou o timing perfeito delas, sabia exatamente me dizer quando elas estavam chegando e quando iriam embora, ele me falar que elas iriam acabar me lembrava disso, porque durante a dor lancinante, era reconfortante me lembrar que ela passaria e eu me deitaria outra vez. E assim ficamos, chuto que umas 3 horas seguidas. Exausta, trêmula, mas determinada. Quando comecei a sentir vontade de fazer força, me verticalizei e fiz, senti que poderia ser a cabeça descendo e pedi a confirmação à minha parteira, Danielle, que rapidamente disse, empolgada, que havia visto a cabeça. Pronto, era o incentivo que me faltava. As últimas forças de um corpo que há muito não se alimentava, há mais ainda não dormia, elas surgiram. Correram para chamar a Alê, era um fato: eu estava no expulsivo. Ainda bem que a Alê correu porque, mais uma vez, eu pensei: vou fazer a maior força do mundo e fiz. E daí foram poucos minutos. Me levantei, me apoiando nos ombros do meu companheiro, minha mãe atrás de mim e minha doula ao lado, as parteiras posicionadas, um espaço tão pequeno entre a cama e o closet que se tornou imenso naquele momento. Foi quando me agachei, perguntei à Dani se estava posicionada caso eu não conseguisse amparar Moreno e ela, obviamente, estava, já com suas mãos respeitosas estendidas para receber meu filho, decidida a procurá-la, encontrei a maior força do mundo e meu filho coroou, vociferei, círculo de fogo, força, oração em volta de mim, amor e veio outra contração! A maior força do mundo! E ele nasceu de uma vez. Sentei nos pés de minha mãe, com meu filho no colo, ainda ligado à placenta dentro de mim. Aquele corpo perfeito sobre meus braços cansados, o olhar descrente e assustado de quem achava que, dessa vez, não iria conseguir, mas – puta que pariu! – conseguiu! E minha mãe me abraçou, e ela gritava “Mulherão da porra”. E eu, ainda num estado talvez de choque, ouvia todos falando que sabiam que eu conseguiria. Já tinha passado de meia noite, moleque danado não nasceu no dia que parecia que ia nascer, nem quando estava mesmo quase nascendo.

Gratidão especial à minha mãe, incansável, e à doula Aline Barreto, que segurou a minha mão com a firmeza que eu precisava e me ajudou a mudar o rumo dessa história que parecia, algumas vezes, fadada ao desfecho que eu não gostaria que tivesse.
Presentes no meu parto, estavam meu companheiro, que olhou dentro dos meus olhos, tocando a minha alma, durante todo o processo, soube usar sua voz tranquila para me dar forças, minha mãe que, mais uma vez, esteve ao meu lado acolhendo minhas angústias, abraçando as minhas escolhas e me lembrando o porquê delas terem sido feitas, as parteiras Fernanda Caxias, sempre amorosa e disponível, nunca me desamparou, esteve presente em cada momento desde o começo dos pródromos e chegou a dormir na minha casa em uma noite em que as contrações pareciam ter engatado, e Daniele Tenório, que, junto comigo, amparou meu filho e tomou um banho da sorte quando minha bolsa estourou – e Alê Rocha, sagaz, registrou o momento exato, minha doula Aline Barreto, que chegou e me ajudou a organizar meus sentimentos e movimentação, com uma conduta impecável, conhecimento explícito e suporte incrível, minha comadre Camila Roberta, Porto Seguro das minhas filhas, que cumpriu com maestria o papel importante que tomou para si durante esse processo, atender às demandas físicas e emocionais da Nalu e da Flor, minhas duas filhas, que também estiveram comigo entre brincadeiras e bagunças, me dando um beijinho de força vez ou outra, minha fotógrafa Alê Rocha, presença potente em toda a gestação do Moreno e uma das únicas pessoas nesse mundo a quem eu confiaria o registro fotográfico de um momento tão íntimo, tão visceral, tão entregue, que esteve ao meu lado com olhar orgulhoso e atento, que me ajudou a caminhar com dor, que colocou a mão na massa pra auxiliar em momentos em que precisávamos de apoio estrutural e que sentou e esperou, paciente e amorosamente, o desabrochar da leoa e da cria e, com sua técnica e sagacidade, fez registros inacreditáveis. Logo após o nascimento, chegou minha doula Paula Inara, sempre presente em minha vida, desde o nascimento de Flor, que me acolheu e apoiou durante toda a gestação do Moreno, sempre mudando a minha vida para melhor. Minha irmã, Maitê, ofegante para ver o rosto do bebê que tanto esperara – a espera pelo nascimento que, por vezes, parecia que não iria acontecer, era angustiante para todos. Meu pai, que me criou, homenageado pelo nome do neto, que chegou de longe e me deu parabéns.
Mais uma vez, tento fazer um relato de parto e faço um relato de gratidão. O coração transborda, dela. Depois de uma cesariana prematura e um parto domiciliar planejado, a gente acha que está preparada para tudo. Ledo engano. O parto do Moreno chegou para me ensinar muitas coisas, entre elas, esperar o tempo necessário e, sobretudo, que eu sou forte e consigo tudo o que eu quiser, com amor! Minha amiga Tíffany olhou dentro dos meus olhos, enquanto ainda estava grávida, e me disse que cada mulher tem o parto que precisa ter. Aceito! Agradeço! O parto que eu precisava ter me tornou ainda mais consciente da minha força, ainda mais unida às pessoas que me amam e que eu amo.
Depois de 3 semanas de pródomos dolorosos, “alarmes falsos”, contrações ritmadas e desritmadas, banhos de mar, chás de canela, banhos de jasmim e, acupuntura, Meu trevo de quatro folhas nasceu, pouco depois de 00:00, do dia 9 de dezembro de 2017, sagitariano com ascendente em virgem, a cara do pai e o amor das irmãs.

Milagre
A estrada sinuosa
O vociferar
Os caminhos oblíquos
Me presenteiam com a paisagem
Que é o brilho dos seus olhos
A sensação que apenas
O teu cheiro pode me dar

Como se um milagre tivesse acontecido
Meu menino tinha nascido!

O sangue que por nós escorria o corpo
Lembrava a dificuldade de outrora
É quando o medo se transforma
A dor de se esvair e abrir passagem
Portal do mundo
Casa do universo
Ponte dos milagres
5, 7, 10 centímetros
O cheiro de vida nova
Inebria até os menos cristãos

É como se um milagre tivesse acontecido
Meu menino tinha nascido!

Sob a guarda de minha mãe
Aos seus pés estou
Sagrada que sou
Boto mais um deus no mundo
E sobre meu corpo, seu peso
E sobre meus seios, seu cheiro
Sobre seu corpo, meu calor
E sobre meus restos
De mulher destroçada em dor e amor
O milagre

É como se um milagre tivesse acontecido
Meu menino tinha nascido!

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